Você sente que sua luz está escondida? Reflexões de Pope
08/02/26
Deus jamais te rejeitará. Você tem um
Pai que zela pelo seu nome e pela sua singularidade.
O Papa Leão XIII reconheceu que muitas pessoas hoje
se sentem sem valor. "É como se a sua luz tivesse sido escondida."
Mas, disse ele antes de celebrar o Ângelus do meio-dia, Jesus nos proclama um
Deus "que nunca nos rejeitará, um Pai que se importa com os nossos nomes e
com a nossa singularidade."
"Toda ferida, mesmo a mais profunda, será
curada ao acolhermos a palavra das Bem-aventuranças e ao nos reconduzirmos ao
caminho do Evangelho", disse ele.
Segue o texto integral da reflexão do Papa sobre as leituras de hoje:
Queridos
irmãos e irmãs, feliz domingo!
Após proclamar as Bem-aventuranças, Jesus dirige-se
àqueles que as praticam, dizendo que, graças a eles, a terra já não é a mesma e
o mundo já não está em trevas. “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do
mundo” ( Mt 5,13-14).
De fato, é a alegria genuína que dá sabor à vida e traz à luz algo que antes
não existia. Essa alegria brota de um modo de vida, um modo de habitar a terra
e de viver em comunidade que deve ser desejado e escolhido. É a vida que
resplandece em Jesus, o novo sabor de suas palavras e ações. Depois de
encontrar Jesus em sua pobreza de espírito, sua mansidão e simplicidade de
coração, sua fome e sede de justiça, que revelam a misericórdia e a paz como
poderes de transformação e reconciliação, aqueles que se distanciam de tudo
isso parecem insípidos e sem graça.
O profeta Isaías lista gestos concretos que vencem
a injustiça: partilhar o pão com os famintos, acolher os pobres e desabrigados
em nossas casas, vestir aqueles que vemos nus, sem negligenciar nossos vizinhos
e os que estão em nossa própria casa (cf. 58,7). O profeta continua: “então a
tua luz romperá como a aurora, e a tua cura brotará rapidamente” (v. 8). Por um
lado, há uma luz que não pode ser escondida porque é tão grande quanto o sol
que dissipa as trevas a cada manhã; por outro lado, há uma ferida que antes
ardia e agora está cicatrizando.
De fato, é doloroso perder o sabor e renunciar à
alegria; contudo, é possível ter essa ferida no coração. Jesus parece advertir
aqueles que o ouvem a não renunciarem à alegria. O sal que perde o seu sabor,
diz ele, “não serve para nada; pelo contrário, é lançado fora e pisado pelos
homens” ( Mt 5,13).
Quantas pessoas — talvez nós mesmos — se sentem inúteis ou quebradas. É como se
a sua luz tivesse sido escondida. Jesus, porém, proclama um Deus que jamais nos
rejeitará, um Pai que se importa com o nosso nome e com a nossa singularidade.
Toda ferida, mesmo a mais profunda, será curada ao acolhermos a palavra das
Bem-aventuranças e ao nos reconduzirmos ao caminho do Evangelho.
Além disso, atos de abertura e atenção ao próximo
reacendem a alegria. Ao mesmo tempo, porém, por sua simplicidade, tais gestos
nos colocam em desacordo com o mundo. O próprio Jesus foi tentado no deserto a
seguir outros caminhos, a afirmar sua identidade, a exaltá-la e a ter o mundo a
seus pés. Contudo, ele rejeitou os caminhos que o teriam feito perder sua
verdadeira essência, aquela que encontramos a cada domingo no Pão partido, que
é uma vida dada e um amor silencioso.
Irmãos e irmãs, sejamos nutridos e iluminados pela comunhão com Jesus. Sem qualquer arrogância, seremos então como uma cidade situada sobre um monte, não apenas visível, mas também convidativa e acolhedora: a cidade de Deus onde todos, no fundo, desejam viver e encontrar paz. Voltemos agora o nosso olhar e as nossas orações para Maria, Porta do Céu, para que ela nos ajude a tornarmo-nos e a permanecer discípulos de seu Filho.

Edição Inglês

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