Igreja

Por que os jovens anseiam pela Quaresma: uma reflexão singular do Papa.

19/02/26

Num mundo "em chamas", as cinzas da Quaresma nos convidam a chamar a morte pelo que ela é... mas essa aceitação é o início da reconstrução.

Embora o período da Quaresma, com seu foco em penitência e conversão, geralmente não seja associado à alegria, o Papa Leão XIII iniciou o período dando-lhe um toque positivo surpreendente – mesmo para aqueles que não são católicos.

Ele iniciou sua homilia na Basílica de Santa Sabina reconhecendo a "graça de ser Igreja" e enfatizando que "a Quaresma continua sendo um tempo poderoso para a comunidade". Já ali, ele demonstra como este período é uma oferta não apenas para a Igreja, mas para o mundo.

"Sabemos que tem se tornado cada vez mais difícil reunir as pessoas e fazê-las sentir-se parte de uma comunidade — não de uma forma nacionalista e agressiva, mas numa comunhão onde cada um de nós encontre o seu lugar", disse ele.

A Quaresma, disse ele, forma "um povo" -- um povo que "reconhece seus pecados", e não pecados que vieram de "inimigos", mas sim aqueles que "existem dentro de nós".

"Precisamos responder aceitando corajosamente a responsabilidade por eles."

Opção atraente

Embora seja reconhecidamente contracultural, segundo o Papa Leão XIII, é também "uma opção autêntica, honesta e atraente, especialmente nos nossos tempos".

Por quê? Porque é "tão fácil se sentir impotente diante de um mundo em chamas". O pecado é pessoal, mas toma forma nos "contextos reais e virtuais da vida"... com 'estruturas de pecado' econômicas, culturais, políticas e "até mesmo religiosas".

As Escrituras nos ensinam que opor-se à idolatria com a adoração ao Deus vivo significa ousar ser livre e redescobrir a liberdade por meio de um êxodo, uma jornada, onde não estamos mais paralisados, rígidos ou complacentes em nossas posições, mas reunidos para agir e mudar.

Como é raro encontrar adultos que se arrependem — indivíduos, empresas e instituições que admitem ter errado!

O convite da Quarta-feira de Cinzas

Essa "possibilidade de arrependimento" está no cerne da Quaresma. E "não é por acaso que, mesmo em contextos secularizados, muitos jovens, mais do que no passado, estão abertos ao convite da Quarta-feira de Cinzas".

"Os jovens, em especial, compreendem claramente que é possível viver uma vida justa e que deve haver responsabilização pelos erros cometidos na Igreja e no mundo", disse o Papa. "Devemos, portanto, começar por onde pudermos, por aqueles que nos rodeiam."

Nesse sentido, a Quaresma é um tempo missionário, algo a ser oferecido às "muitas pessoas inquietas de boa vontade que buscam maneiras autênticas de renovar suas vidas, dentro do contexto do Reino de Deus e de sua justiça".

Recordando uma reflexão de 60 anos atrás do Papa São Paulo VI, o Papa Leão XIII disse que, assim como o "pessimismo fundamental" que seu antecessor viu na década de 1960, vemos hoje "cinzas"... cinzas do "peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra"; cinzas do "direito internacional e da justiça entre os povos"; e cinzas também do "pensamento crítico e da sabedoria ancestral local" e do "sentido do sagrado".

A história, e ainda mais a nossa própria consciência, pede-nos que chamemos a morte pelo que ela é e que carreguemos as suas marcas dentro de nós, testemunhando também a ressurreição. Reconhecemos os nossos pecados para que possamos ser convertidos; isto é, em si, um sinal e um testemunho da Ressurreição. De facto, significa que não permaneceremos entre as cinzas, mas ressurgiremos e reconstruiremos.

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