A ciência mostra por que algumas pessoas arriscam suas vidas pelos outros.
06/02/26
Quando um desconhecido entrou no meio do trânsito para salvar uma
adolescente, ele não parou para avaliar o risco — e talvez esse seja o ponto.
Quando adolescente, Abigail Marsh dirigia em uma
rodovia quando um cachorro cruzou a sua frente repentinamente. Ela desviou para
evitar o atropelamento, fazendo com que seu carro rodasse e fosse parar na
pista contrária. O motor parou. O carro parou na faixa da esquerda. Naquele
instante de suspensão da derrapagem, ela teve certeza de que ia morrer.
Então, um estranho apareceu em sua janela.
“Com aquela voz incrivelmente calorosa e
reconfortante que jamais esquecerei”, contou
ela mais tarde à BBC , “ele disse: 'Parece que você precisa de ajuda' ”. Ele entrou no banco
do motorista, conduziu o carro para um local seguro, verificou se ela estava
bem — e então desapareceu. “Nunca soube o nome dele”, disse Marsh. “Nunca lhe
agradeci.”
Aquele breve ato anônimo definiu o rumo de sua
vida. Hoje, Marsh é professora de psicologia e neurociência na Universidade de
Georgetown, onde estuda o altruísmo — particularmente pessoas que ajudam
estranhos correndo riscos reais, sem esperar reconhecimento ou recompensa.
Ao longo de anos de pesquisa, ela fez a essas
pessoas uma pergunta simples: por
quê ?
Um
senso de heroísmo?
As respostas raramente são eloquentes. Muitos altruístas
têm dificuldade até mesmo para se explicar. Ajudar, dizem, pareceu-lhes óbvio.
"Essa pessoa ia morrer, e eu senti que tinha a capacidade de ajudá-la,
então o fiz", é uma resposta comum. Não há qualquer senso de heroísmo em
seus relatos — apenas ação.
O trabalho de Marsh sugere que pessoas altruístas
tendem a ser mais sensíveis ao sofrimento alheio. Elas percebem o medo mais
rapidamente. Mas ela faz questão de ressaltar que isso não as torna uma elite
moral. O altruísmo, acredita ela, pode ser aprendido. Assim
como o exercício físico, ele se desenvolve com a repetição. Pequenos atos de
bondade treinam a atenção para o outro. Com o tempo, responder às necessidades
alheias começa a parecer menos uma escolha e mais um reflexo.
Essa compreensão se alinha facilmente com uma
sabedoria moral mais antiga que a Igreja defende há muito tempo: a virtude se
forma antes de ser testada. Não buscamos coragem em uma crise; recorremos aos
hábitos que já cultivamos. O amor praticado nos momentos comuns molda nossa reação
quando as dificuldades aumentam repentinamente.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas
correm em direção ao perigo sem parar para calcular as consequências.
Isso também ajuda a explicar o que aconteceu
recentemente na costa da Austrália Ocidental, conforme relatamos anteriormente.
Quando Austin Appelbee, de 13 anos, e sua família
foram arrastados para o mar, ele nadou quatro quilômetros em mar aberto para
buscar ajuda, sem saber se sua mãe e irmãos ainda estavam vivos. No meio da
travessia, ele tomou a arriscada decisão de tirar o colete salva-vidas, pois
estava o atrasando. Por horas, o que o sustentou foram orações, cânticos
cristãos e o que ele chamou de "pensamentos felizes" — lembranças da
família, dos amigos e até do
Thomas, o Trem .
"Não acho que fui eu quem fez isso",
disse Austin mais tarde. "Foi Deus o tempo todo."
Vista pela perspectiva da pesquisa de Marsh, sua
coragem parece menos um milagre repentino e mais a de um coração já preparado
para agir. Ele não tinha a intenção de ser heróico. Simplesmente não conseguia
imaginar-se inerte. Sua atenção estava voltada para os outros. A fé lhe deu
forças naquele momento, mas o movimento em direção à doação de si mesmo já
estava presente.
Essa pode ser a verdade silenciosa por trás de
muitos atos de coragem extraordinária. As pessoas que se expõem ao perigo não
são necessariamente mais corajosas do que nós. Elas costumam praticar a
observação. Praticam a resposta. Praticam a generosidade quando o custo é
pequeno.
E quando chega o momento — seja numa autoestrada ou
em mar aberto — eles agem.
Não porque sejam extraordinários, mas porque o amor
já moldou seus instintos.

Edição Inglês

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