Quando a preocupação com o futuro se torna uma obsessão
14/02/26
É normal se preocupar com seu futuro.
Porém, é preciso ter cuidado para não dedicar toda a energia a temer um evento
que possa ou nunca acontecer, com o risco de perder a alegria e a paz de
coração.
Há dois tipos de preocupações. A ansiedade positiva
que revela em nós a sede de Deus, o “Único necessário” de nossas vidas.
Santo Agostinho o expressa desta maneira: “Tu nos
fizeste para ti, Senhor, e nosso coração permanece inquieto até que ele
permaneça em ti”.
E a ansiedade negativa que surge das contradições
que nos habitam e das provas que surgem em nossas vidas.
Essa ansiedade muitas vezes nos faz perder a paz e
a alegria de nossos corações. Está no centro de uma batalha espiritual que deve
ser trazida à luz.
As ferramentas para
liderar a luta
É normal que estas preocupações surjam. Jesus nos
advertiu: “Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são
os que o encontram” (Mt 7,14).
A angústia, vista desta perspectiva, aparece como a
entrada na vida, como um segundo nascimento e o ponto de controle mais seguro
de nossa vida espiritual. Não obstante, Santo Inácio explica que nunca são
circunstâncias ou eventos que nos levam a perder a paz de coração.
A causa está sempre em um distanciamento de Cristo
causado precisamente pela ansiedade, que por sua vez é causada por
dificuldades. O Maligno interfere, tentando captar nossa atenção e ocupar
nossos pensamentos com mil preocupações. Seu objetivo: nos distrair da presença
de Jesus.
São Pedro nos dá duas ferramentas para liderar a
luta: “Resisti-lhe fortes na fé” (1Pd 5,9). E novamente: “Confiai-lhe todas as
vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7).
São Francisco de Sales insiste: “Não busque as
consolações de Deus, mas o Deus das consolações” e explica: “A preocupação é o
maior mal depois do pecado”. É mais do que uma tentação, diz ele: é a porta
aberta a todas as tentações. Além disso, Jesus coloca “as preocupações da vida”
no mesmo nível que a deboche e a embriaguez (Lc 21,34)!
É por isso que São Paulo nos encoraja: “Não vos
inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas
preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de
Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e
vossos pensamentos, em Cristo Jesus.” (Fil 4,6-7).
A graça do abandono
Não é uma questão de apologizar a passividade ou o
quietismo. Trata-se de colocar-nos nas mãos de Deus com total confiança: “Meu
Pai, eu me entrego a ti” (Charles de Foucauld)… Para o passado: atirando-o no
fogo de sua misericórdia.
Para o futuro, confiando-o à sua providência,
sabendo que “Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas
forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela”
(1 Cor 10:13).
Este abandono nos permite então viver o momento
presente com a graça do Senhor, sabendo que “Àquele que, pela virtude que opera
em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos”
(Ef 3,20).
Padre Nicolas Buttet

Edição Portuguese

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