Uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua saúde espiritual.
23/02/26
Até mesmo Santo Inácio de Loyola
acreditava que cuidar bem do corpo ajuda a alma.
Estou numa jornada espiritual para aumentar o
número de flexões que consigo fazer. Eu sei, soa estranho declarar que minha
luta de meia-idade para ficar um pouco mais forte seja de alguma forma um
esforço espiritual, mas na minha cabeça é mesmo.
Quando jovem e zeloso demais, Santo Inácio de
Loyola se submeteu a severas penitências físicas. Essas penitências
enfraqueceram seu corpo e, mais tarde, ele se arrependeu do que havia feito a
si mesmo. Em uma carta a São Francisco de Borja, aconselhou-o também a cessar
as penitências destrutivas às quais se submetia e que prejudicavam seu corpo.
Inácio escreveu: “Devemos cuidar e amar o corpo na medida em que ele obedece e
auxilia a alma, e na medida em que a alma, obedecida e auxiliada dessa maneira,
está mais bem preparada para o serviço e louvor de nosso Criador e
Senhor”. Seu argumento é simples: quanto mais saudáveis nossos corpos forem, mais seremos capazes de
oferecer a Deus.
Na Igreja Católica, diversos grupos masculinos que,
além de intensificarem a oração e o jejum, também incluem exercícios físicos e
treinos regulares, têm ganhado popularidade recentemente. Para participar
desses grupos, os homens precisam se comprometer a ter uma alimentação mais
saudável e manter a rotina de exercícios. Nesse esforço, eles se apoiam
mutuamente por meio de incentivo e responsabilidade compartilhada. Muitos dos
homens que conheço e que participaram desses grupos ficaram agradavelmente
surpresos com os benefícios espirituais de uma vida mais saudável.
Por isso, sempre incentivo homens e mulheres que
fazem resoluções para a Quaresma a incluírem exercícios físicos. Pode não
parecer um objetivo espiritual, mas, ao fortalecer o corpo, o exercício também
fortalece a alma.
Você
é esse templo.
O autor católico Kevin Vost escreveu recentemente um livro chamado
" You Are That Temple"
(Você é Aquele Templo) , sobre como a espiritualidade e
a saúde física estão conectadas (para total transparência, Kevin é meu amigo e
eu contribuí com um pequeno ensaio no livro sobre a espiritualidade do ciclismo
e da corrida de longa distância). Ele cita São Tomás de Aquino, que diz:
"A virtude, enquanto disposição adequada da alma, é como a saúde e a
beleza, que são disposições adequadas do corpo". O que ele quer dizer é
que, se quisermos nos exercitar na virtude e adquirir um hábito para o bem,
faremos isso de maneira semelhante à forma como exercitamos nossos corpos.
Quando comecei a correr longas distâncias, cada
segundo parecia uma tortura. Meus joelhos e pés doíam. Meu corpo todo estava
dolorido. Eu não conseguia respirar. Era uma experiência desagradável. Mas
persisti e, depois de alguns meses, meu corpo se adaptou. De repente, eu estava
ansiosa pelas minhas corridas. Elas eram divertidas. Em dias de chuva ou frio,
eu ficava até decepcionada. O que mudou? Bem, correr se tornou um hábito.
Deixou de ser um sofrimento e se tornou uma alegria. E continua sendo uma
alegria até hoje.
Com essa experiência, aprendi também como progredir
na vida espiritual. Precisava estabelecer metas modestas, porém claras, e
precisava me manter firme nelas. No início, como correr, é um processo desconfortável.
Tudo em nós luta contra o desenvolvimento de uma nova virtude, simplesmente
porque não estamos acostumados a ela. A luta é real, mas também é temporária. O
segredo é perseverar até o outro lado, porque, se você fizer isso, seu coração
se voltará para o bem e você começará a amá-lo.
Muitas vezes, porém, me canso e desisto cedo
demais. Esta é outra área em que o exercício físico é útil. Ele não só fornece
um modelo de como nos
disciplinarmos espiritualmente, como também desenvolve a virtude mais
importante para manter essa
disciplina: a virtude da fortaleza.
A
diferença que a perseverança faz.
Vost afirma que a perseverança aumenta nossa
capacidade de persistir diante das dificuldades no caminho para alcançar nossos
objetivos. Quanto mais perseverança tivermos, maior será nossa capacidade de
suportar. Mesmo adorando correr, há dias em que o calor na rua é insuportável
ou meus músculos não estão bem. Há dias em que procuro uma desculpa para faltar
ao treino. É preciso perseverança para vencer minha preguiça natural. Muitas
vezes, essa virtude me salvou. Ela supera minha tendência à apatia, me motiva a
sair de casa e começar o treino, e é raro eu não ficar feliz depois de
concluí-lo.
Se formos honestos, temos a mesma hesitação quando
se trata de progredir na vida espiritual. Se tentar desenvolver virtudes for
semelhante a um treino físico, há dias em que queremos faltar ao treino. Há
dias em que queremos desistir. É aí que a perseverança se torna tão útil. Ela
nos ajuda a superar os primeiros meses desconfortáveis até que a nova disciplina se torne mais fácil e, então, nos ajuda a manter
o novo hábito quando temos momentos de fraqueza.
Ainda mal consigo fazer flexões, mas estou me esforçando ao máximo. O desenvolvimento interior que o treino proporciona é igualmente importante, senão mais. Sei que a virtude da perseverança me trará benefícios quando eu também trabalhar na disciplina interior.

Edição Inglês

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