O Rosário, a súplica a
Cristo com Maria e a meditação
16/02/25
Entenda por que a meditação e a súplica
devem fazer parte da oração do Rosário.
No Santo Rosário, vivemos de modo privilegiado a
súplica a Jesus Cristo com a presença materna da Santíssima Virgem Maria e, ao
mesmo tempo, a meditação dos mistérios da nossa redenção. Estas, a meditação e
a súplica, são características essenciais da oração do Rosário da Virgem Maria
No Rosário, a meditação e a súplica estão
intimamente unidas entre si e auxiliam-se mutuamente, garantindo a eficácia da
nossa oração. Além disso, estas nos ajudam a nos unir mais estreita e
intimamente a Jesus Cristo. Pois, na oração do Terço, a Santíssima Virgem se
faz presente, com sua materna intercessão, para auxiliar-nos em nossas
fraquezas (cf. Gn 2, 18).
Suplicar a Cristo com
Maria através do Rosário
Jesus Cristo convidou-nos suplicar a Deus com
insistência e confiança, para sermos atendidos: “Pedi e se vos dará; buscai e
achareis; batei e vos será aberto” (Mt 7, 7). O fundamento desta eficácia da
oração é a bondade do Pai e, ao mesmo tempo, a mediação de Cristo junto d’Ele
(cf. 1 Jo 2, 1) e também a ação do Espírito Santo, que “intercede por nós”
conforme os desígnios de Deus (cf. Rm 8, 26-27). De fato, nós “não sabemos o
que devemos pedir em nossas orações” (Rm 8, 26) e, por vezes, não somos atendidos
“porque pedimos mal” (Tg 4, 3).
Em auxílio da oração que Jesus Cristo e o Espírito
Santo fazem brotar no nosso coração, intervém a Virgem Maria, com a sua materna
intercessão. “A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de
Maria”[1]. Sendo assim, se Jesus, único Mediador, é o Caminho da nossa oração,
Maria, pura transparência d’Ele, mostra-nos o Caminho, e “é a partir desta
singular cooperação de Maria com a ação do Espírito Santo que as Igrejas
cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo
manifestada nos seus mistérios”[2]. Nas bodas de Caná, o Evangelho mostra
precisamente a eficácia da intercessão de Maria, que se faz porta-voz das
necessidades humanas junto de Jesus: “Eles já não têm vinho” (Jo 2,3).
O Rosário é, ao mesmo tempo, uma oração de
meditação e súplica. O pedido insistente de Nossa Senhora apoia-se na confiança
de que a sua materna intercessão tudo pode junto ao Coração do Filho. No Terço,
ao ser suplicada por nós, Maria Santíssima apresenta-se em nosso favor diante
do Pai, que a cumulou de graça, e do Filho nascido das suas entranhas, pedindo
conosco e por nós.
A meditação
cristológico-mariana do Rosário
O “Pai nosso” – colocado quase que como alicerce da
meditação cristológico-mariana que se desenrola através da repetição da
“Ave-Maria” – torna a meditação dos mistérios de Cristo, mesmo quando é feita a
sós, uma experiência eclesial, ou seja, de comunhão com a Igreja.
A Ave-Maria é o elemento mais encorpado do Rosário
e também o que faz dele uma oração mariana por excelência. No entanto, à luz da
própria Ave-Maria notamos claramente que o carácter mariano não só não se opõe
ao cristológico, mas o acentua e exalta.
A primeira parte da Ave-Maria, tirada das palavras
dirigidas a Maria Santíssima pelo Arcanjo Gabriel e por Santa Isabel (cf. Lc 1,
26-38.39-45), é contemplação adoradora do mistério de Cristo, que se realiza na
Virgem de Nazaré. As palavras desta oração exprimem a admiração do Céu e da
Terra e transparecem o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra-prima,
– a encarnação do seu Filho no ventre virginal de Maria – como fez ao terminar
a obra da criação, naquela primordial admiração com que Deus contemplou a obra
de suas mãos (cf. Gn 1, 31).
A repetição da Ave-Maria na oração do Rosário
sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do
maior milagre da história, que é a encarnação do Filho de Deus. A recitação
piedosa da Ave-Maria é o cumprimento da profecia de Nossa Senhora: “Desde
agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações” (Lc 1, 48).
A centralidade da Ave-Maria, uma espécie de ligação
entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. Às vezes, na recitação
precipitada do Rosário, perde-se a centralidade de Cristo e, com ela, também a
ligação com o mistério de Jesus que contemplamos.
É precisamente através da acentuação dada ao nome
de Jesus e ao seu mistério que se dá a recitação expressiva e frutuosa do
Terço. O Papa Paulo VI recordou, na Exortação Apostólica Marialis cultus, o costume,
existente em algumas regiões, de realçar o nome de Cristo acrescentando uma
cláusula ou circunstância particular que recorda o mistério que se medita[3].
Este é um louvável costume, especialmente na recitação pública do Rosário.
Dessa forma, exprimimos de forma intensa a fé cristológica, aplicada aos
diversos momentos da vida do Redentor. Trata-se de uma profissão de fé e, ao
mesmo tempo, de um auxílio para permanecer em meditação, permitindo dar vida à
função assimiladora do Rosário, contida na repetição da Ave-Maria, em relação
ao mistério de Cristo.
Repetir o nome de Jesus – o único Nome do qual
podemos esperar a salvação (cf. At 4, 12) – unido com o da sua Mãe Santíssima
e, de certo modo, deixando que seja Ela própria a nos inspirar, constitui um
caminho de assimilação pelo qual penetramos cada vez mais profundamente na vida
de Cristo e nos seus mistérios.
Desta relação especialíssima de Nossa Senhora com
Jesus Cristo, que faz dela a Mãe de Deus, em grego: Θεοτόκος – Theotókos, deriva a força da súplica
com que nos dirigimos a ela depois, na segunda parte da oração, confiando à sua
materna intercessão a nossa vida e a hora da nossa morte.
O Rosário: compêndio
do Evangelho e escola de Maria
Assim, ainda que o Rosário seja caracterizado pelo
seu aspecto mariano, é uma oração cristológica na sua essência. Na sobriedade
dos seus elementos, o Rosário concentra em si a profundidade de toda a mensagem
evangélica, da qual é quase que um compêndio. No Terço, ecoa a oração de Maria,
o seu perene Magnificat pela
obra da Encarnação redentora do Filho de Deus, que se realizou no seu ventre
virginal. Com o Rosário, frequentamos a escola de Maria, para deixar-nos
“introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da
profundidade do seu amor”[4]. Mediante o Rosário, alcançamos a graça em
abundância, das mãos maternas da Virgem Maria.
Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Edição Portuguese

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