Espiritualidade

Como escolher a campanha certa para a Quaresma?

17/02/26

Amanhã começa a Quaresma. O que pode nos ajudar a decidir do que vamos abrir mão este ano?

Todos conhecemos alguns sacrifícios clássicos da Quaresma – gostamos de optar por abrir mão de doces, bebidas açucaradas ou alcoólicas, redes sociais, assistir televisão em excesso ou fazer compras desnecessárias. Alguns usam o jejum como incentivo para se exercitar com mais frequência ou orar.

E embora tudo isso seja perfeitamente aceitável e louvável, é bom que a campanha da Quaresma também reflita o caminho espiritual que nós, cristãos, trilhamos.

Na Quarta-feira de Cinzas, na primeira leitura, ouviremos as palavras do profeta Joel: "Rasguem o coração, e não as vestes, e voltem para o Senhor, o seu Deus". O jejum é, antes de tudo, uma jornada interior e espiritual, e não se trata de sinais externos.

Jesus adverte seus discípulos de maneira semelhante: "Cuidado para não darem esmolas diante dos outros para serem vistos por eles; do contrário, vocês não terão recompensa do Pai que está nos céus."

Quando decidimos realizar nossa ação quaresmal, não precisamos discutir em voz alta o quão difícil ela é e o quão grande é a tarefa que nos propusemos. A Quaresma nos encoraja a refletir sobre nossas ações e a nos concentrarmos nas mudanças internas que estão surgindo dentro de nós. Então, como escolhemos nossa ação quaresmal?

1Primeiro, vamos pensar nos nossos hábitos.

Para identificar as áreas em que precisamos trabalhar mais e onde as mudanças são mais necessárias, precisamos parar e refletir sobre nossos hábitos. O que consome mais tempo, energia ou nos afasta da paz interior diariamente? Qual de nossas características incomoda mais as pessoas ao nosso redor? O que nos afasta de Deus?

Muitas vezes, esses hábitos são um bom começo e uma escolha fácil para uma campanha quaresmal. É necessário um olhar honesto sobre si mesmo. A Quaresma não é uma competição, mas uma jornada espiritual pessoal.

2Objetivos espirituais e pessoais

Para uma Quaresma de qualidade, precisamos pensar no que queremos fortalecer durante esse período: paciência, gratidão, compaixão, concentração... Cada pessoa está em uma jornada, mas são oportunidades como o jejum que podem acelerar nosso progresso.

3Moderação em vez de extremos

Quando começamos a jejuar, muitas vezes tentamos fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo: "Não só vou orar mais, como também vou acordar uma hora mais cedo para poder orar mais". Isso é irrealista.

É mais sensato tentar aproveitar hábitos já existentes que precisamos apenas aprimorar um pouco: estender a oração de dez para quinze minutos. A renúncia deve ser significativa e viável, não um fardo que nos esgota rapidamente.

4Mais espaço para relacionamentos

Não nos contentemos com as renúncias clássicas, mas conectemos nossas ações quaresmais aos relacionamentos. Embora a Quaresma seja certamente também um tempo de silêncio, oração e meditação – um tempo em que esperamos que o maior mistério do amor de Deus se revele novamente – que as mudanças que a Quaresma produz em nós se reflitam também em nossos relacionamentos. Renunciar a algo também pode significar mais tempo para a família, os amigos e conversas mais profundas – talvez a Quaresma deste ano seja uma oportunidade para menos redes sociais, notícias ou telas.

Que ao escolhermos uma ação para a Quaresma, não nos guiemos pelo desejo de perfeição, mas sim por um sincero anseio de conversão e crescimento espiritual. A Quaresma é um caminho que nos aproxima de Deus e das pessoas. Que seja um tempo em que aprendamos a escutar, perdoar, ser pacientes e gratos. Se, durante a Quaresma, dermos ao menos um pequeno passo em direção a um coração mais aberto, uma vida mais consciente e uma confiança mais profunda em Deus, nossas vidas se tornarão mais ricas.

Edição Esloveno

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