Espiritualidade

Por que Deus quis nos fazer semelhantes a Ele?

04/02/26

Desde o princípio, Ele criou o homem e a mulher, ambos dotados de dons incríveis, mas depois do pecado original, por que Deus nos fez iguais a Ele?

Deus nos ama infinitamente, tanto que não hesitou em nos resgatar do terrível pecado original que desencadeou todos os outros pecados que a humanidade comete diariamente; contudo, Ele quis nos tornar iguais a Si mesmo em vez de nos exterminar para nos punir por nosso orgulho e desobediência. Por que Ele fez isso?

O amor infinito de Deus

Gênesis apresenta a história da criação, na qual afirma claramente que Deus fez todo o universo para os seres humanos, que ele criou à sua própria imagem e semelhança ( Gn 1, 26-27 ).

O Papa Leão XIV explicou em sua catequese na Audiência Geral de quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, que "Não somos iguais a Deus, mas o próprio Deus nos torna semelhantes a Ele em seu Filho".

O Papa declara:

 "...em Jesus, Deus nos faz filhos e nos chama a nos tornarmos como Ele, apesar de nossa frágil humanidade. Nossa semelhança com Deus, portanto, não é alcançada por meio da transgressão e do pecado, como a serpente sugeriu a Eva (cf.  Gn  3,5 ), mas na relação com o Filho feito homem."

O que inicialmente era impossível para o homem, Deus escolheu fazer em seu Filho Jesus. É por isso que não somos mais chamados de "servos", mas de "amigos".

A partir desse momento, nada poderá nos separar do seu amor, acrescenta Leão XIV:

"Na Revelação Cristã, isto é, quando Deus se faz carne em seu Filho para vir ao nosso encontro, o diálogo que havia sido interrompido é definitivamente restaurado: a Aliança é nova e eterna, nada pode nos separar do seu amor."

Cultivemos a amizade com Deus.

Mas, assim como na amizade humana, a relação com Deus "se alimenta da troca de palavras verdadeiras". O Papa acrescenta que "a  Constituição  Dei Verbum  também nos lembra disso: Deus fala conosco". E afirma que "a palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, ao falar conosco, Deus se revela como um Aliado que nos convida à amizade com Ele".

Esse diálogo ocorre, primeiramente, por meio da escuta, "para que a Palavra divina possa penetrar em nossas mentes e em nossos corações".

E nós, "ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para comunicar a Ele o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a Ele".

Daí a necessidade da oração, na qual somos chamados a viver e cultivar a amizade com o Senhor.

Falemos com Ele em oração.

Leão XIV explica como realizar a oração:

"Em primeiro lugar, na oração litúrgica e comunitária, na qual não somos nós que decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas sim Ele próprio que nos fala através da Igreja."

Mas isso não é tudo; também devemos nos dedicar à "oração pessoal, que acontece no coração e na mente". Portanto, os cristãos devem reservar um tempo durante o dia e a semana para "oração, meditação e reflexão. Somente quando falamos  com  Deus podemos também falar  sobre  Ele".

O Papa deixa um último ensinamento:

"Se Jesus nos chama para sermos seus amigos, procuremos não ignorar esse chamado. Acolhamos esse chamado, cultivemos esse relacionamento e descobriremos que a amizade com Deus é a nossa salvação."

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