A vergonha te aprisiona? Veja como se libertar.
17/01/25
Sentir
vergonha de coisas que fizemos é natural e pode nos ajudar a mudar nossas vidas
para melhor.
Brené Brown é pesquisadora da Universidade de
Houston e autora de " A Coragem de Ser Imperfeito:
Como a Vulnerabilidade Transforma a Maneira como Vivemos, Criamos Nossos Filhos
e Lideramos" . Em seu livro, ela escreve:
"A vergonha é o sentimento intensamente doloroso de que somos imperfeitos
e, portanto, indignos de amor e pertencimento. É a sensação de que a
versão funcional de mim é imperfeita demais para mostrar ao mundo."
A experiência desagradável da vergonha é universal.
Quem não conhece o suor frio que nos cobre quando fazemos algo embaraçoso? A
vergonha, juntamente com o medo, é uma das primeiras emoções descritas na
Bíblia. Todos conhecemos a história de Adão e Eva, que, envergonhados, cobriram
seus corpos com folhas de figueira para que Deus não visse sua nudez.
Medo de não ser
aceito
Uma fonte comum de vergonha é a falta de aceitação
da nossa própria aparência física. Talvez não nos sintamos magros o suficiente,
ou em forma o suficiente, ou com proporções corporais adequadas. Às vezes é
apenas imaginação nossa, ou talvez não cuidemos o suficiente do nosso corpo, ou
simplesmente tenhamos genes que não nos favorecem a sermos extremamente bonitos
ou atraentes segundo os padrões populares.
Mas a vergonha, nesses casos, é quase sempre
injustificada e decorrente de ideais irreais. Se não superarmos essa vergonha,
ela pode afetar de forma desproporcional nossa vida social e nossa autoestima.
Precisamos aceitar nossos corpos como Deus nos deu e fazer o possível para
cuidar deles de forma responsável. Sempre haverá alguém mais bonito do que nós.
(Também precisamos garantir que, por nossa vez, não estejamos envergonhando os
outros por características físicas que, muitas vezes, estão fora de seu controle.)
Mas nem toda vergonha está relacionada a algo tão
óbvio quanto nossa aparência externa. Muitas vezes, nos envergonhamos de coisas
que fizemos ou que vivenciamos por culpa de outros, mas que são conhecidas por
poucas pessoas, ou apenas por nós. Problemas familiares, violência, abuso,
doenças, vícios, maus hábitos ou pecados habituais: qualquer uma dessas coisas
— que geralmente ficam escondidas atrás das portas fechadas de nossas casas, de
nossos lábios e de nossos corações — pode ser fonte de vergonha. São momentos
ou aspectos de nossas vidas que tentamos manter isolados, ocultos do mundo.
Causam-nos tanto desconforto que preferimos nunca falar sobre eles com ninguém.
A vergonha, portanto, é uma emoção social, o que
significa que sempre a sentimos em relação a outras pessoas. Sentimos vergonha
porque alguém pode nos julgar e não nos aceitar. Temos medo de sermos
rejeitados completamente ou de perdermos o respeito dessa pessoa. Esse medo é o
que nos leva a esconder parte de quem somos dos outros.
Brown explica: “Todos nós temos histórias pessoais
de vergonha, geralmente trancadas a sete chaves e cuidadosamente protegidas. Às
vezes, as revelamos ao nosso confessor, ao nosso psicoterapeuta ou aos nossos
entes queridos. Normalmente, porém, vivemos sozinhos com esse peso, com a
esperança equivocada de que podemos lidar com a vergonha por conta própria.”
A melhor solução:
transparência.
Infelizmente, quanto mais escondemos as coisas de
que nos envergonhamos, mais as fortalecemos. Como diz Brown, "a vergonha
se alimenta de segredos". O que tem o poder de nos libertar da vergonha é
a revelação: contar a uma pessoa de confiança a história da sua vida, desabafar
suas emoções difíceis e compartilhar seus segredos. Mesmo que seja extremamente
difícil e exija sair radicalmente da sua zona de conforto, é a única coisa que
pode nos curar e nos ajudar.
Em primeiro lugar, graças à perspectiva objetiva de
uma terceira pessoa, podemos chegar à compreensão de que, para começar, não
tínhamos nada de que nos envergonhar. É bem possível que aquilo que nos causava
ansiedade e nos fazia sentir isolados seja, na verdade, uma experiência quase
universal; ninguém é perfeito e a maioria de nós incorre em falhas e fraquezas
semelhantes em algum momento. Também é possível que não sejamos nós
que devamos nos envergonhar, mas sim alguém que nos prejudicou; nesse caso,
precisamos reconhecer a quem pertence a verdadeira vergonha, aprender a
recuperar nossa autoestima e perdoar — embora também possamos precisar buscar
justiça para o bem da sociedade. Recentemente, vieram à tona inúmeros casos de
vítimas de abuso sexual que sentiram vergonha e tiveram medo de denunciar, mas,
ao fazê-lo, encontraram força, justiça e liberdade interior.
Em segundo lugar, mesmo que de fato tenhamos algo
de que nos envergonhar, descobriremos que existe a possibilidade de superar
nosso passado buscando o perdão e a redenção. Em ambos os casos — culpados ou
não — uma combinação de confissão sacramental e aconselhamento psicológico
profissional pode ser de grande ajuda para superar a vergonha e pode ser
necessária para seguirmos em frente.
Há espaço para a vergonha, se formos realmente culpados de uma ofensa que a justifique, mas mesmo assim, nunca devemos nos deixar consumir pela vergonha, permitindo que ela nos aprisione. A vergonha é natural e deve nos impulsionar a mudar nossas vidas para melhor. Precisamos aceitar a verdade sobre quem somos — provavelmente, apenas pessoas comuns com fraquezas como qualquer outra — e aprender a nos amar e nos perdoar, dando passos diários para nos tornarmos pessoas melhores. Mas, na verdade, não podemos fazer isso sozinhos; abrir-se com pessoas em quem confiamos e buscar ajuda é o primeiro passo para uma vida mais livre e feliz.
Este
artigo foi originalmente publicado na edição polonesa da Aleteia e foi traduzido e adaptado aqui para leitores de língua inglesa.

Edição Inglês

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