Estilo de vida

Por que os pais precisam demonstrar amor na frente de seus filhos

20/01/26

As crianças aprendem o que é o amor observando como seus pais se tratam.

As crianças aprendem o que é o amor através do amor que seus pais sentem por elas e ao perceberem que são amadas. Mas há outra maneira importante pela qual elas aprendem sobre o amor, e é “ao verem que seus pais se amam, ao testemunharem isso o suficiente para se sentirem seguras quanto ao amor deles”, diz Inès Pélissié du Rausas em seu livro  Conversando com as Crianças sobre o Amor (Parlons d'amour à nos enfants). Um pouco como São Tomé, o incrédulo, “elas só acreditam no que podem ver”.

Como as crianças percebem que seus pais se amam? Observando seus pais agindo de maneira que expresse sua ternura mútua: vendo o pai trazer flores ou presentes para a esposa, vendo a mãe dizer uma palavra carinhosa ao marido, vendo-os sorrir um para o outro, se abraçarem e se beijarem, ou vendo-os pedir desculpas e se reconciliarem após uma discussão.

Inès Pélissié du Rausas, especialista em educação emocional, destaca que essa ternura conjugal permite que as crianças entendam o que é o amor de verdade: “ As crianças que veem seus pais demonstrarem ternura são sortudas! Elas descobrem que amar alguém significa estar perto dessa pessoa, ajudá-la, pensar nela antes de pensar em si mesmo.”

As crianças vivenciam indiretamente a alegria produzida no coração da pessoa que recebe o beijo, o sorriso ou o olhar terno. “Nessa demonstração simples e discreta da intimidade dos pais, as crianças percebem que o amor é uma dádiva de uma pessoa para outra, uma dádiva que se manifesta através do corpo”, afirma ela. Descobrir que o corpo nos permite dar amor e alegria livremente toca numa realidade profunda e essencial do amor.

Quando o ciúme mostra sua face feia.

As crianças precisam sentir que seus pais se amam, mas nem sempre gostam disso, afirma Inès Pélissié du Rausas. Às vezes vemos crianças se intrometendo entre os pais quando eles se beijam. Mas ela insiste que as crianças precisam aceitar que seus pais precisam ficar sozinhos, seja para sair para um encontro romântico ou para fechar a porta do quarto à noite.

Os pais devem ter em mente que uma criança que se coloca entre os pais em momentos de carinho nem sempre está com ciúmes. Ao se aconchegarem aos pais quando estes se beijam, “elas buscam a segurança do amor, mesmo que não tenham consciência disso. Elas também querem receber um pouco da alegria que sentem intensamente naquele momento”, explica o autor.

Uma coisa a ter em mente é que somente a verdadeira ternura atrai, não uma falsa ternura confusa e ambígua, que revela um desejo de posse do outro em vez de cuidado altruísta. O Papa João Paulo II, em Amor e Responsabilidade, definiu a verdadeira ternura, que vem do coração:

“A ternura deve ser acompanhada de certa vigilância… para que suas diversas manifestações não se tornem um meio de satisfazer a sensualidade e as necessidades sexuais. Portanto, ela não pode prescindir de verdadeiro autocontrole, que aqui se reflete na medida da sutileza e da sensibilidade interior da atitude de alguém em relação à pessoa do sexo oposto.”

É essa ternura que os pais são chamados a expressar diante de seus filhos. É essa ternura, e não a sensualidade gananciosa, que educará as crianças a conhecer e reconhecer o verdadeiro amor.

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