Você sabe apreciar as alegrias simples do dia a dia?
07/01/26
Até o dia mais sombrio tem seu lado bom.
Você só precisa aprender a enxergá-lo.
A vida é difícil às vezes. Pode até ficar tão
difícil que se torna quase insuportável. Em todo o mundo, homens e mulheres
acordam de manhã sem saber onde encontrar coragem para enfrentar o dia que se
inicia — seja porque sofrem de depressão, seja porque precisam lidar com uma
deficiência grave, uma doença intensa, dificuldades financeiras esmagadoras ou
conflitos familiares. (Sem mencionar os países onde milhares de pessoas sofrem
com guerras, fome, injustiça e perseguição.) E mesmo quando não se está
sobrecarregado pelo sofrimento, todos carregam sua parcela de preocupações,
decepções e tristezas. Ninguém escapa disso.
Catástrofes dominam as manchetes, enquanto milhares
de belas histórias passam despercebidas. Quanto mais triste a notícia, mais
rápido ela se espalha — com todos os seus detalhes trágicos. Às vezes, sentimos
uma espécie de prazer com a infelicidade alheia, mas também desejamos nos
solidarizar com o sofrimento dos outros, para evitar que ele se acumule em sua
própria bolha. De qualquer forma, corremos o risco de enxergar apenas os
aspectos mais sombrios da vida, em detrimento da luz. Contudo, até mesmo o dia
mais escuro tem seu lado positivo — basta procurá-lo.
Com muita frequência, deixamos escapar as alegrias
que nos são oferecidas, seja porque não correspondem ao que esperávamos, ao que
imaginávamos; seja porque nos parecem triviais; ou, pelo contrário, porque nos
assustam, como se fossem belas demais para serem verdade. Ou, finalmente,
porque estamos presos a arrependimentos estéreis e remorsos, ou consumidos pela
ansiedade, que nos impede de estar atentos ao que nos é oferecido aqui e
agora. O Maligno sempre procura nos afastar da alegria, porque ela é um
prenúncio do Reino de Deus.
A alegria não é exclusiva dos otimistas, daqueles
que usam óculos cor-de-rosa para disfarçar a monotonia do dia a dia, dos
sonhadores gentis que ignoram os problemas. Otimismo ou pessimismo, essa não é
a questão. Acolher as alegrias de cada dia é simplesmente ser realista. É ver a
vida como ela é, discernir o bom trigo em meio ao joio e a luz que brilha em
meio à escuridão. Em um nível mais profundo, é ver a vida em sua dimensão de
eternidade. Isso não é otimismo, mas esperança. Jesus venceu o
mal: a alegria é o sinal dessa vitória que já é nossa.
Antes de tudo, devemos agradecer ao Senhor. Quando
começamos a agradecer a Deus — não de forma vaga, mas por algo concreto, algo
preciso — é como se começássemos a desenrolar um longo novelo de louvor
acumulado. Cada agradecimento suscita outro: obrigado pelo sorriso daquele
amigo que encontramos na rua, pela encomenda tão esperada, pela paisagem
tranquila por onde passamos, pela gentileza dos vizinhos, pelo momento de paz
que sentimos ao passar pela igreja. Muitas vezes, pequenas alegrias
despertam outras maiores, aquelas maravilhas que esquecemos de pensar, que
podemos desfrutar como crianças: a vida que nos foi dada, nosso corpo
com suas extraordinárias possibilidades, nossa inteligência e todos os nossos
dons, o batismo, a graça de Deus... e o próprio Deus.
A alegria é acolhida com o coração de uma criança.
É um daqueles tesouros "escondidos dos sábios e entendidos, mas revelados
às crianças" ( Mt 11,25 ). Os pequeninos, esses pobres
de coração de quem Jesus fala, não desprezam as pequenas alegrias, nem aquelas
que não correspondem aos seus planos. Como sentem que, em todo caso, nada
merecem, não se surpreendem nem temem se encher de alegria. Simplesmente
confiam e não estragam as alegrias do dia com os arrependimentos de ontem e as
preocupações de amanhã. Mais do que isso, alegram-se com as alegrias alheias,
sem a sombra da inveja. Bem-aventurados esses pobres de coração, pois a alegria
do Reino é deles. De agora em diante.
Christine Ponsard

Edição Inglês

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