Você sabe realmente louvar ao Senhor?
20/12/25
Muitas
vezes esquecemos que somos criados para louvar e servir a Deus, não para
colocá-lo a nosso serviço
Orar não é um hobby piedoso, uma meditação em busca
do bem-estar ou uma ocupação opcional para as férias. A oração não busca alívio
ou apaziguamento em primeiro lugar. Orar é antes de tudo uma virtude
fundamental da justiça. A justiça consiste em devolver a cada um o que lhe é
devido. Tudo é devido a Deus. O que temos que não recebemos dele? (1 Cor 4, 7).
Ao mesmo tempo, não podemos dizer que estamos com sede de justiça e omitir essa
primeira justiça: dar graças ao nosso Criador. “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação, dar-vos
graças, sempre e em todo o lugar“, como dizemos na missa. Oramos porque
é justo.
A oração de louvor, fruto do amor desinteressado
Como retribuirei a Javé todo o bem que ele me
fez? Erguerei o cálice da
salvação invocando o nome de Javé” (Salmo 115, 12-13). Participamos da
Eucaristia por gratidão, porque seria extremamente injusto ignorar o que
devemos ao Senhor. Mas antes mesmo de agradecer a Deus por seus benefícios,
devemos agradecê-lo pelo que ele é.
No admirável hino de Glória, dizemos ao Senhor
todos os domingos: “Agradecemos a
vossa imensa glória“. Esta é a oração de louvor. Não estamos
interessados principalmente no que Deus fez ou fará por nós, mas no que ele é
em si mesmo: infinitamente glorioso. O louvor é fruto do amor desinteressado.
Esse amor que pode dizer aos outros: “Eu
não te amo pelo que você me dá, mas pelo que você é. Obrigado por existir.”
Sim, é correto amar a Deus mais do que tudo, amá-lo de todo o coração, como
Jesus nos ordena a fazer.
Nós somos criados para louvar ao Senhor e o servir
E como não tornar esse grande ato de amor livre que
é a oração em auxiliares de nossas concupiscências? Santo Ambrósio dizia que na
maioria das vezes oramos como um homem de negócios. Não queremos orar, queremos
que nossos pequenos negócios prosperem.
O que estamos procurando na oração? Procuramos,
para falar como São Francisco de Sales, “as consolações de Deus” ou “o Deus das
consolações”? A oração brota de nossa luxúria ou emana de nossa fé? “Senhor, faça agora pelo La Hire o que o La
Hire faria por você se você fosse o La Hire e se o La Hire fosse Deus“.
Será que essa súplica de um companheiro de guerra de Joana D’Arc não é às vezes
uma caricatura da nossa oração?
Precisamos lembrar que fomos criados para louvar a
Deus e servi-lo, e não para colocar Deus a nosso serviço. A salvação, como diz
São Tomás, é alcançar aquilo para o qual fomos feitos. Em outras palavras,
louvar a Deus significa já estar entrando no caminho de salvação. Certamente,
“nossas músicas não acrescentam nada à sua glória”. Não é para si que Deus quer
que o louvemos, mas para nós, porque louvá-lo é cumprir nossa essência, fazer
aquilo para o qual somos feitos, começar aqui abaixo aquilo que será a felicidade
eterna; cantar louvores ao Senhor!
Padre Guillaume de Menthière

Edição Inglês

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