As causas da reclamação e as possibilidades da gratidão
13/12/25
Percebi que reclamar me ajuda a sentir que tenho o controle. Com o
tempo, meu cérebro se tornou viciado nessa sensação
Reclamar pode ser muito satisfatório. Não há nada
melhor do que ter a atenção de um bom amigo e desabafar sobre tudo de errado
que existe no mundo, como todos estão tornando essa jornada que chamamos de
vida miserável e por que (oh, por que!) as pessoas não param de ser tão
irritantes e começam a me ouvir. Quando consigo fazer um bom desabafo, me sinto
acolhida e confortável. Não importa que eu seja totalmente errado. Não
importa que minha atitude seja irracional e injusta, ou que eu esteja
arrastando meu amigo para o lamaçal comigo. Eu ainda busco essa sensação. Mas
existe o caminho da gratidão que usa a linguagem do louvor.
Tem dias em que parece que só faço reclamar.
Reclamo de como as outras pessoas dirigem, da fila na cafeteria, da quantidade
de trabalho acumulada na minha mesa, da minha frustração com o que um amigo
disse, da bagunça da casa, do tempo ruim, de não ter conseguido a melhor vaga
para estacionar, de o encanador não ter retornado minhas ligações e por que
nosso chuveiro começou a vazar? Não é justo.
Tendo tomado consciência da minha necessidade
cínica de reclamar, trabalhei diminuindo significativamente minha
contagem de palavras negativas. Fiz a mim mesma algumas perguntas
difíceis sobre por que adquiri um hábito tão ruim. Por que reclamar me dá tanta
dor de cabeça?
Percebi que reclamar me ajuda a sentir que
tenho o controle. Isso me dá uma sensação de superioridade. Com o
tempo, meu cérebro ficou viciado nessa sensação. Sinto alívio ao apresentar uma
reclamação pertinente.
O problema é que, mesmo que reclamar seja bom, é
extremamente prejudicial. Isso nos leva a nos fecharmos em nós mesmos, a nos
orgulharmos e a não valorizarmos o que é bom e belo. Reclamar nos cega para o
que é bom e belo, e, portanto, nos cega para Deus. A reclamação não deve ser
nossa linguagem dominante.
Devemos
expressar a gratidão
Louvar é
a linguagem natural de alguém em sintonia com Deus. Não se trata de uma
insistência ingênua e genérica em um entusiasmo falso diante de problemas
legítimos. Em vez disso, é uma nomenclatura específica das
bênçãos e da beleza que vivenciamos diariamente, apesar de qualquer mal que
possa nos atingir. Sem negar que alguns dias são mais difíceis que outros, o
louvor, contudo, insiste em buscar a presença de Deus. Em todas as
circunstâncias. Tendo identificado a presença divina atuando em e através de
eventos e pessoas específicas, oferecer louvor a elas torna-se uma espécie de
sacrifício que nos impulsiona através da porta do Céu. Mesmo o dia mais escuro
do inverno, a estação mais melancólica da vida, até mesmo um engarrafamento na
manhã de segunda-feira podem ser um limiar de esperança.
O
esforço é o meu dom
É preciso prática. Principalmente se,
como eu, você tem tendência ao cinismo e o cultiva há muito tempo. A
negatividade persistente é um mecanismo de defesa. Se eu sempre
esperar o pior, nunca me decepcionarei. Se eu sempre expressar reservas,
parecerei inteligente. Posso sempre ir a uma reunião de trabalho ou comissão da
igreja e apontar tudo o que há de errado com as ideias em discussão, assim
nunca precisarei me comprometer com uma decisão arriscada que possa falhar.
O problema dessa atitude, porém, é que se eu
constantemente me refugio numa postura cínica e avessa ao risco, se eu nunca
tomo a decisão de valorizar as possibilidades que se apresentam diante de mim,
se nunca silencio aquele crítico interior, lentamente, mas de forma
constante, perderei a capacidade de reconhecer riscos que valem a pena
correr. Não conseguirei me adaptar para aceitar desafios.
Quero ser alguém que louva a Deus. Alguém que
enxerga o caminho à frente, reconhecendo que está cheio de dragões e florestas
escuras, mas que ainda assim segue em frente. Elevando minha voz em louvor,
busco reconhecer a fidelidade de Deus. Ele é digno de louvor. Este
mundo que Ele criou é digno de louvor. A vida que Ele me deu é louvável. A vida
que Ele te deu é louvável. Em retribuição à fidelidade de Deus,
oferecerei minhas próprias palavras de fidelidade. Mesmo que minha fidelidade
seja pequena e imperfeita, e que minhas palavras de louvor nem sempre sejam
proferidas com plena convicção, o esforço é minha humilde dádiva. Encontrarei
meu lugar, me tornarei parte da solução, oferecerei algo positivo, estarei
disposto até mesmo a cometer um erro na busca por descobrir algo belo.
Para
o que fomos feitos
Santo Agostinho afirma que o louvor está enraizado
em nossa natureza e propósito. O louvor não é meramente um reconhecimento da
grandeza de Deus, mas sim uma expressão de gratidão. Uma linguagem que
desvenda o segredo da nossa existência. Não fomos feitos para a
maldição, mas para a bênção; portanto, quando louvamos, descobrimos mais sobre
nós mesmos, mergulhando em nossas almas e encontrando aquilo que é redimível.
Para mim, o louvor se tornou uma oportunidade de me
libertar da passividade. Quando louvo a Deus em oração, contemplo a lua cheia
com gratidão, reprimo minhas queixas, ofereço palavras de afirmação à minha
família ou simplesmente respiro fundo e ocupo meu lugar neste mundo bom, criado
pelo nosso Criador, eu prefiro uma boa palavra, ofereço uma bênção e me alinho
com a verdade. O bem triunfará. Simplesmente não adianta ficar focado demais no
mal.
O louvor nos prepara para a glória. Aconteça o que
acontecer em nosso caminho, é uma oportunidade.
Talvez seja no ato de elogiar que aprendemos, pela primeira vez, o que realmente merece elogios. Ao elogiar, aprendemos a reconhecer o que é bom. É um risco buscar a luz em um mundo tão propenso à escuridão, mas o elogio nos dá vida. Abre-se a porta para uma realidade brilhante e luminosa que vence a noite. É por isso que louvamos. Não tanto porque Deus precise disso, mas porque nós precisamos disso.

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