Leão exorta a treinar o coração para ver a beleza da Igreja.
11/02/26
"Muitas vezes, as fragilidades e os
erros dos cristãos, juntamente com muitos clichês e preconceitos, nos impedem
de compreender a riqueza do mistério da Igreja", disse ele.
Precisamos de uma perspectiva espiritual para
compreender a verdadeira beleza da Igreja, insistiu o Papa Leão XVI antes de
rezar o Ângelus
ao meio-dia nesta festa da Dedicação de São João de Latrão.
Devemos "treinar nossos corações" para
ter uma "visão espiritual", disse ele. "Muitas vezes, as
fragilidades e os erros dos cristãos, juntamente com muitos clichês e
preconceitos, nos impedem de compreender a riqueza do mistério da Igreja. Sua
santidade, na verdade, não depende de nossos méritos, mas do 'dom do Senhor,
jamais retirado', que continua a escolher 'como vaso de sua presença, com um
amor paradoxal, as mãos impuras dos homens'."
Essa perspectiva espiritual é, portanto, um convite
a caminhar "na alegria de sermos o povo santo que Deus escolheu".
"O mistério da Igreja é muito mais do que um
simples lugar, um espaço físico, um edifício feito de pedras", disse o
Santo Padre.
Segue a tradução completa de sua breve reflexão.
Irmãos e irmãs, feliz domingo!
Na festa da Dedicação da Basílica de Latrão,
contemplamos o mistério da unidade e da comunhão com a Igreja de Roma, chamada
a ser a mãe que cuida da caminhada de fé dos cristãos em todo o mundo.
A Catedral da Diocese de Roma e sede do Sucessor de
Pedro, como sabemos, não é apenas uma obra de extraordinário valor histórico,
artístico e religioso, mas também representa a força motriz da fé confiada e
preservada pelos Apóstolos, e sua transmissão ao longo da história. A grandeza
desse mistério também resplandece no esplendor artístico do edifício, que em
sua nave central abriga doze grandes estátuas dos Apóstolos, os primeiros
seguidores de Cristo e testemunhas do Evangelho.

Isso aponta para uma perspectiva espiritual, que
nos ajuda a ir além da aparência externa, a compreender que o mistério da
Igreja é muito mais do que um simples lugar, um espaço físico, um edifício de
pedras. Na realidade, como nos recorda o Evangelho no episódio da purificação
do Templo de Jerusalém por Jesus (cf. Jo 2,13-22), o verdadeiro santuário de Deus é Cristo
que morreu e ressuscitou. Ele é o único mediador da salvação, o único Redentor,
Aquele que, unindo-se à nossa humanidade e transformando-nos com o seu amor,
representa a porta (cf. Jo 10,9)
que se abre para nós e nos conduz ao Pai.
Unidos a Ele, também nós somos pedras vivas deste
edifício espiritual (cf. 1
Pe 2,4-5). Somos a Igreja de Cristo, seu corpo, seus membros
chamados a difundir seu Evangelho de misericórdia, consolação e paz por todo o
mundo, por meio daquela adoração espiritual que deve resplandecer acima de tudo
em nosso testemunho de vida.
Irmãos e irmãs, devemos treinar nossos corações
para ter essa perspectiva espiritual. Muitas vezes, as fragilidades e os erros
dos cristãos, juntamente com muitos clichês e preconceitos, nos impedem de
apreender a riqueza do mistério da Igreja. Sua santidade, de fato, não depende
de nossos méritos, mas do “dom do Senhor, jamais retirado”, que continua a
escolher “como vaso de sua presença, com um amor paradoxal, as mãos impuras dos
homens” (J. Ratzinger, Introdução
ao Cristianismo , Brescia (2005), 331).
Caminhemos, então, na alegria de sermos o povo
santo que Deus escolheu, e invoquemos Maria, Mãe da Igreja, para que nos ajude
a acolher Cristo e nos acompanhe com sua intercessão.

Edição Inglês

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