Não é fácil ser simples! Quatro maneiras concretas de ganhar simplicidade
22/02/26
Em
um pequeno livro tão cristalino quanto útil, o padre Maximilien Le Fébure du
Bus elogia a simplicidade. Ele fornece pistas concretas para recuperar o
espírito de infância e uma transparência justa em suas relações com os outros.
Não é fácil ser simples! Todos os dias, nos
deparamos com falta de simplicidade, da nossa parte ou dos outros. "O
homem contemporâneo é extremamente solicitado e forçado a se terceirizar para
responder às múltiplas solicitações", observa à Aleteia o padre Maximilien
Le Fébure du Bus, cônego regular na Abadia de Lagrasse (Aude) e autor de
um Elogio Espiritual da
Simplicidade (Artège) a ser publicado em 13 de novembro. "A
sociedade de lazer e hiperatividade em que vivemos gera uma profusão de bens
materiais, escolhas, propostas. O homem está cada vez mais quebrado, disperso,
sobresocarregado e luta para ter uma vida interior e, portanto, uma
unidade."
Por falta de simplicidade, o homem contemporâneo
tem dificuldade em fazer escolhas, renunciar à aparência, maravilhar-se, mesmo
quando Cristo convida explicitamente à simplicidade: "Seja simples como
pombas", diz Jesus (Mt 10,16). "Cristo
toma a pomba como modelo de simplicidade porque ela é luminosa, pura. Ela
ilustra tanto esse brilho, essa irradiação do simples e a pureza", explica
o padre Maximilien Le Fébure du Bus. "Um coração puro nada mais é do que
um coração simples", disse Santo Agostinho.
Para o cânone de Lagrasse, outro sinônimo de
simplicidade é a verdade, como sugere sua etimologia. "Simples" vem
de "simplex", que significa "sem dobras", ou seja, sem
esconder, sem dissimulação. "É simples aquele que é verdadeiro, verdadeiro
em relação a Deus, verdadeiro em relação ao que sou como homem e verdadeiro em
relação aos outros", resume o padre Maximilien Le Fébure du Bus, antes de
dar quatro pistas para ganhar simplicidade em relação a Deus, a si mesmo, aos
outros e à Criação.
1ORAR E MEDITAR A PALAVRA DE DEUS
Nastyaofly | Shutterstock
"Quanto mais complicados somos, mais distantes
estamos de Deus", dizia um cartuxo. O padre Maximilien Le Fébure du Bus
convida, pelo contrário, a "estabelecer uma relação simples com o Deus
simples". "Deus se apresenta, mas muitas vezes eu recuso tal presente",
observa ele. Por que não dar as boas-vindas ao Senhor, abrir a porta para ele
quando ele bate? (cf. Ap 3,20). "Deus se
deixa abordar aqui com toda a simplicidade", garante o cônego. "A
oração, a adoração eucarística, a oração do coração me ajudam a ficar diante de
Deus sem medo ou tédio. Como uma criança. Como um amigo. Simplesmente." O
religioso exorta a orar, a desenvolver uma vida interior, a aderir com fé aos
mistérios divinos e a ler a Palavra de Deus, simples e profunda. "A partir
de então, ajudado pela graça, descubro a surpreendente riqueza da Sagrada
Escritura."
2DESISTIR DE ESTADOS DE ESPÍRITO
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Quantas vezes, em um dia, hesitamos, hesitamos, nos
perguntamos mil sobre assuntos às vezes fúteis. "Muito solicitado, tenho
dificuldade em escolher, me comprometer, decidir", descreve o padre
Maximilien Le Fébure du Bus, citando as palavras do apóstolo São Tiago:
"Aquele que hesita é semelhante ao vaivém das ondas do mar agitadas pelo
vento [...] dividido e instável em tudo o que faz" (Jo
1,6.8)." O homem contemporâneo é muitas vezes dividido e
dividido. Ele hesita. Ele faz, então ele tem remorso. Um precioso ensinamento
de Cristo reside nesta palavra: "Que sua palavra seja "sim", se
for "sim", "não", se for "não". (Mt
5,37), fonte de libertação e unidade do ser. "Para recuperar
minha identidade, preciso unificar meu ser", garante o religioso. "A
partir daí, é agindo com coerência que vou restaurar a unidade
danificada."
3COM OS OUTROS, SEJA VOCÊ MESMO
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"Arrruar a máscara e oferecer a verdade do seu
ser", essa é a questão da simplicidade nas relações com os outros. A
simplicidade se opõe à mentira, à hipocrisia, à primazia da aparência. Diante
do outro, cabe a mim ser eu mesmo, não desempenhar um papel, abrir mão da
aparência. Para São Tomás de Aquino, a simplicidade manifesta "a ausência
de duplicidade, de desacordo entre o interior e o exterior", "entre o
ser e o aparente". Duplicidade, para Aquinato, é "ter uma coisa no
pensamento e expressar outra". Pode vir da maldade, mas também da timidez,
da mundanidade ou do medo do olhar do outro. Santo Agostinho ordena a seus
irmãos: "O que você veste não deve ser notado, e não procure agradar com
suas roupas, mas pelo que você é internamente." Portanto, garante o padre
Maximilien Le Fébure du Bus, "a revelação do ser alimenta a confiança e
torna possível a amizade". "Com um amigo, eu não calculo: sem sedução
ou dissimulação".
4MARAVILHAR-SE COM A CRIAÇÃO
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Contemplar a Criação que se oferece aos nossos
olhos permite encontrar a maravilha da infância. Um caminho real para acessar a
simplicidade. Isso pressupõe estar atento à Criação, maravilhar-se com ela e
saborear o momento presente. "A alegria da criança vem precisamente dessa
importância dada ao presente: para ela, tudo faz sentido aqui e agora. Onde o
adulto se sente culpado pelo passado e teme o dia seguinte, a criança vive a
simplicidade do presente", enfatiza o padre Maximilien Le Fébure du Bus.
"Esta recepção do momento presente favorece a maravilha: com os olhos
arregalados, a criança enche seu olhar com uma paisagem, um rosto, um objeto.
Entusiasta, ele é cativado e nada mais importa." Assim, a busca pela
simplicidade passa pela da infância.

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