Nossa Senhora das Graças: um chamado incessante à oração
13/05/27
As graças são derramadas, as orações são ouvidas
e nossa fé é fortificada não somente porque temos a medalha, presente de Maria,
mas porque utilizamos esse presente como ela pediu: “com fervor e confiança”.
Na noite de 18 de julho de 1830, na pequena rue du
Bac, em Paris, a Virgem Maria apareceu para uma jovem religiosa das filhas da
caridade, Catherine Labouré. Desde muito pequena ela mantinha uma relação muito
amorosa com Nossa Senhora pois desde muito nova perdera sua mãe. No dia da
primeira aparição, Catherine ouviu um ensinamento da madre superiora sobre a
devoção aos santos, e em particular, à Virgem Maria. Era véspera da festa de
são Vicente de Paula, fundador de sua comunidade. Ela então foi dormir com esse
desejo de encontrar sua mãe do céu e, quem sabe, são Vicente não intercederia?
Esse desejo se realizaria neste dia mesmo. Deu-se assim a primeira aparição de
Maria na Rue du Bac.
Catherine escuta ser chamada pelo seu nome, às
23h30. Aos pés de sua cama, uma criança convida-a a levantar-se e lhe diz: “Venha,
a Santa Virgem lhe espera.” Após se assegurar que todas as
outras irmãs dormiam, ela vai até à capela. Aí chegando, ela se ajoelha e
espera. Por volta da meia-noite a criança lhe diz: “Eis aqui a Virgem Santa. Ei-la aqui.” Uma
bela senhora aparece senta-se na poltrona. Catherine corre aos pés de Maria e
coloca sua cabeça em seu colo. Foi o momento mais doce de sua vida, como ela
disse em seu testemunho. Maria a encoraja à perseverança e lhe diz que ela
recebera uma missão. Anuncia que sua missão não será fácil, mas diz-lhe: “você
será inspirada em suas orações.” E no fim, a Virgem Maria
faz um convite apontando para o altar: “Venham aos pés deste altar. Aqui, graças
serão derramadas sobre todas as pessoas que pedirem com confiança e fervor.”
Nossa Senhora e a Medalha
Milagrosa
Todos conhecemos o que se segue. Duas outras
aparições acontecem na mesma capela. Uma no dia 27 de novembro e outra em
dezembro. As duas em momentos em que as irmãs estão em oração. Na aparição do
dia 27 de dezembro Catherine recebe o conteúdo de sua missão. Ela vê a medalha
milagrosa com os desenhos que a caracterizam. Ela ouve então uma voz que diz: “Fazei,
fazei cunhar uma medalha sob este modelo. As pessoas que a levarem consigo com
confiança receberão grandes graças.” Na medalha há a inscrição “Oh
Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.” Essa
é a parte das aparições que é mais conhecida. Essa medalha milagrosa é presente
no mundo inteiro e devotos de todos os cantos a levam consigo em sinal de fé e
devoção. Mas há algo que é essencial nesta aparição: a medalha não é um amuleto
ou um tipo de objeto da sorte, mas ela é uma maneira de entrar em relação com a
Virgem Maria através da oração.
O primeiro convite da Virgem Maria feito a
Catherine é aquele de se aproximar do altar e ali depositar seus pedidos com
confiança e fervor. O altar é o lugar do sacrifício de Cristo que celebramos na
eucaristia. O lugar do encontro, da partilha, da celebração. Ele é o lugar onde
nossos olhos se dirigem para agradecer, suplicar, ou somente contemplar. Mas em
todos esses casos, ele chama à oração, essa relação estreita que somos
convidados a ter com o Senhor. Porque Maria sabe que sem a relação manifestada
pela oração, essa conversa amorosa que podemos ter com o Senhor, pode se tornar
vazia, sem sentido. É na oração que encontramos o consolo que precisamos, é na
oração que somos gerados. E foi na oração e pela oração que Catherine pôde
experimentar a presença e o amor de Deus e de Nossa Senhora, mesmo que as
aparições tenham cessado.
Um chamado incessante à
oração
A aparição de Nossa Senhora das Graças é um
chamado incessante à oração. Lugar no qual e pelo qual as graças são
derramadas! A rede social de oração Hozana propõe duas belas comunidades de
oração para nos ajudar a viver esse chamado de Nossa Senhora: um
itinerário de maturidade humana com a virgem das Graças e uma novena à
Nossa Senhora das Graças. A proposta dessas comunidades de oração é
a de realizar a experiência de Isabel que visitada por Maria, a cheia de Graça,
recebe também a visita de Deus. Nossa Senhora nos auxiliará a viver um
itinerário espiritual onde iremos refletir sobre esperança, alegria e vida no
Espírito Santo.
Trazer consigo uma medalha milagrosa somente por
trazer, não faz dela o objeto que tem a vocação para qual foi feita. Mas
trazê-la consigo fazendo dela este intermédio entre nós e o céu, como um sinal
que une, que reconecta através da oração, dá à medalha o sentido mesmo para o
qual a Virgem Maria no-la presenteou. As graças são derramadas, as orações são
ouvidas, nossa fé é fortificada não somente porque temos a medalha, presente de
Maria, mas porque utilizamos esse presente como ela pediu: “com
fervor e confiança” que são manifestados pela oração.
Maria roga por nós
Em dezembro, na última aparição, Maria diz a
Catherine, que estava rezando: “não me verás mais.” Foi o
fim “das visitas”, mas o início da grande missão de Santa Catherine Labouré.
Durante 46 anos ela serviu o Cristo presente nos pobres. Sua vida foi dom e
oferta, como nos ensina a Virgem Maria. Dom e oferta como nos mostra o Cristo
que se doa no altar.
O céu visitou a terra nessa rua de Paris. Hoje, o
mundo inteiro vem em peregrinação nesta pequena capela da rue du Bac. E nesta
festa de nossa Senhora das Graças, talvez o que nos é pedido seja justamente
retornar ao coração do chamado que repousa sobre cada um de nós: o da
santidade. Esta passa pela oração, pelo serviço et pela fraternidade.
Maria continua rogando a Cristo pelas nossas
orações. Ela continua nos mostrando o céu que nos visita em cada eucaristia.
Que nos convida a perseverar na fé, na esperança e na caridade!
“Oh Maria concebida sem pecado, rogai
por nós que recorremos a vós.”
Padre Emmanuel Albuquerque, pelo
Hozana

Edição Portuguese

Comentários
Postar um comentário