Dar autoconfiança a uma criança: a receita (quase) milagrosa
12/12/25
A autoconfiança cresce aos olhos dos
outros. Quanto mais positivo esse olhar, mais forte o desejo de seguir em
frente. Gestos, palavras e olhares gentis permitem que a criança avance na vida
e se sinta bem consigo mesma.
Uma criança que se valoriza tem uma visão confiante
da vida. Está melhor equipada para absorver falhas e assédios, coloca seus
medos em perspectiva e avança com otimismo.
Políticos ou grandes esportistas, aventureiros ou
empresários, todos têm em comum essa autoestima inabalável que dá asas e
impulsiona a ir além.
"A
imagem positiva de si mesmo constitui um verdadeiro sistema imunológico
psíquico: ajuda a encontrar forças para dizer não, proteger-se dos outros,
decidir sobre a própria vida", indica em seu livro Ser seguro de si (em tradução
livre), o psicoterapeuta italiano Willy Pasini. E acrescenta: "O núcleo da autoconfiança é amplamente
determinado na infância pela educação da família".
A autoestima cresce no amor, combustível da
confiança. O Dr. Ross Campbell propôs esta imagem: "A criança tem um reservatório emocional.
Somente quando a criança está cheia é que ela é totalmente feliz e dá o melhor
de si mesma ".
O tanque cheio não teme uma pane. Então como
podemos garantir que o medidor nunca fique vermelho?
O amor, o grande motor do esforço
Entre momentos de rigidez e de ternura, uma cabeça
cheia de conselhos claros ou divergentes, os pais têm normalmente bastante
dificuldade de encontrar o tom correto.
"Quando
eu trazia boas notas, meu pai sempre me dizia que eu poderia fazer melhor",
lembra Lucas. "Ele nunca diria
que eu era inteligente ou bonito. Não eram coisas a se dizer ao seu filho na
época".
“Temíamos
que ele ficasse muito arrogante se recebesse muitos elogios. Era preciso sempre levar o seu filho a se
esforçar e a vencer a si mesmo, mas o que nós não tínhamos compreendido é que
enfatizar as qualidades de alguém funciona justamente como uma força motriz
para avançar.”
O amor não apaga a sensação de esforço. Mas uma
criança que se sente incondicionalmente amada, pelo que é e não apenas por seu
desempenho, compreende o seu valor.
Confusos entre sua modéstia e seu constrangimento,
os adultos muitas vezes não se sentem a vontade nas suas demonstrações de
afeto. “Eu não preciso dizer que o
amo, ele sabe disso!”. Pensar assim é um erro, pois o afeto é algo que
devemos expressar em palavras e atitudes todos os dias.
Christina e Yann adaptam a oferta à demanda: "Garantimos que cada criança receba carinho e
um tempo dedicado a ela todos os dias, para que elas sintam que são caras aos
nossos olhos".
A jovem especifica: "Para os menorzinhos, pode ser um momento passado juntos ao contar uma
história. Para os mais velhos, um momento juntos, só ele e os pais. É uma questão
de gosto e de idade!"
"Uma criança precisa se sentir feliz por se
sentir livre para existir e crescer", diz a psicoterapeuta Isabelle
Filliozat. Na casa de Maria Christina e Bento, nada como um jogo de tabuleiro
para reunir todos na sala! “Apesar das
disputas, trapaças ou brigas, o jogo de tabuleiro é para todos nós um momento
de felicidade onde saboreamos a alegria de estar juntos!"
Um lugar para cada um
Ao respeitar as diferenças de caráter e monitorar
possíveis ciúmes antes que eles causem problemas, os pais vão encorajando cada
um a ser feliz conforme a sua personalidade.
Por exemplo, incentivando aquele que é tímido antes
de uma apresentação da escola, destacando a boa nota daquele que tem
dificuldades com uma certa matéria, motivando o caçula apreensivo a sair de
casa para ir ao acampamento, ou educando o irmão mais velho a não fazer mal aos
outros. Essa vigilância essencial requer amor e firmeza.
Bertrand, 40, lembra-se amargamente da rivalidade
com seu irmão mais velho, que arruinou sua infância: "Eu não conseguia dizer uma palavra sem que
isso caísse sobre mim. Meus pais eram orgulhosos da autoconfiança dele e eu
cresci com a crença de que eu era muito ruim. Não é fácil se afirmar quando
você está nas sombras há tanto tempo!"
Já Nathalia e Thomas sabiam como reagir para dar
seu lugar aos mais novos. "Com
quatro meninas mais velhas, era difícil ouvir Guilherme", reconhece
Nathalia. "Quantas vezes tivemos
que silenciar suas irmãs mais velhas para que ele pudesse finalmente dar sua
opinião!", explica.
Quando as tensões aumentam, padrinhos ou avós
também podem ser de grande ajuda, pois em um cenário diferente, um ouvido
aberto e atencioso pode acalmar os conflitos.
Acabe com as frases destrutivas ou superprotetoras
Um momento de nervosismo e uma assim aparece: “Tome exemplo de sua irmã, ela, pelo menos,
tem boas notas!” ou “Você é
péssimo nisso!”. Comentários destrutivos são dispensáveis pois palavras
assim magoam e acabam com a autoestima dos jovens.
“As
palavras zombeteiras têm sobre a criança um efeito negativo que faz com que ela
tenha uma imagem negativa de si mesma. Se utilizados de forma repetitiva, essas
palavras de sarcasmo acabam gerando danos sérios, pois a criança perde a
confiança em si mesma e não tem mais consciência do seu próprio valor”,
alerta a psicóloga Béatrice Copper-Royer.
Outro ponto importante: para dar autoconfiança à
criança, é preciso confiar nela. Deixando-a gerenciar algum dinheiro, quando
tiver idade, e pegar um ônibus sozinha ou preparar uma refeição para a família,
a liberdade é monitorada caso a caso.
“Existe
uma medida justa entre colocar nosso filho em uma tabela de horários restrita e
remover todas as barreiras”, observa Isabelle. Ele deve sentir a presença firme
e benevolente do adulto enquanto faz seus experimentos, com o risco de, às
vezes, escorregar. Faz parte do jogo!"
Mas cuidado, deixá-lo livre não significa deixar
que ele faça tudo. "Nossos filhos não são adultos", ressalta Beatrice
Copper-Royer.
Em uma fobia contra o autoritarismo ou uma
preocupação em fazer o bem, alguns pais caem na armadilha do "proibido
proibir". Sem pontos de referência ou limites, pode-se dar de cara com a
parede.
Francisca ensina turmas de jardim de infância há
trinta anos e faz esta observação difícil: "Estou recebendo cada vez mais crianças aparentemente seguras em minha
classe, mas é uma confiança de fachada".
Aturdida com o comportamento das crianças em um grupo, ela analisa: "Esses pequenos que têm o direito de fazer
tudo que querem em casa, por isso ficam preocupados e pouco à vontade quando
estão em outro ambiente. As barreiras tranquilizam e dão confiança.”
Portanto, cuidado para não se confundir: "Assim como o autoritarismo pode ser
devastador, a autoridade sadia ajuda a criança a crescer", continua
Béatrice Copper-Royer.
São regras simples da vida cotidiana que ajudam a
criança a se desenvolver. Cabe aos pais expressar uma vontade calma e
estabelecer limites claros. É tudo uma questão de equilíbrio e
complementaridade: pai e mãe caminham juntos.
Quanto maior a autoestima, melhores as notas
Notas ruins, competições e zombarias colocam
pressão sobre a autoconfiança. "A
criança chega com sua experiência familiar. Portanto, será mais fácil
integrar-se aos outros quando ele se sente segura e estruturada em seu ambiente
familiar", diz Francisca.
Mãe de quatro filhos e diretora da creche, Sophie
insiste: "A criança age como uma
esponja. Se ela sente que a sua mãe está preocupada, ela também fica
preocupada. Mas se os pais estão bem, ela flui em grupo como um peixe na água!"
Os professores percebem que quanto maior a
autoestima em uma criança, melhores as notas. É importante que os pais em casa
apoiem a moral das crianças e mantenham contato com a escola.
Nas reuniões de classe ou com o professor, a
criança precisa perceber que seus pais se importam e se preocupam com ela. A
experiência escolar de um filho leva seus pais a reviverem sua própria
experiência.
Quantos alunos se davam mau na escola por causa de
seus pais tirânicos? Cuidado com a pressão desnecessária, pois ela alimenta o
estresse.
Também atente para a obsessão com o desempenho que
corta as asas da imaginação e destrói a confiança. Além isso, é absolutamente
necessário diferenciar a criança do aluno.
O lazer também pode ser uma fonte de
desenvolvimento sadio. Beatriz relata a metamorfose de seu irmão: "Stefano era um estudante comum e que não
confiava em si mesmo. Contudo, ele tinha uma paixão pelo tênis e foi o esporte
que lhe devolveu a confiança".
Tênis, futebol ou teatro, as atividades de lazer
adaptadas a cada criança são uma escola de liberdade, se o pai se esforçar para
controlar qualquer espírito de competição excessiva.
Matilda, cujos resultados acadêmicos são médios,
ama desenhar e pintar. A oficina de pintura estimula seu ego toda quarta-feira:
a admiração de seus amigos e os incentivos do professor fazem tudo valer a
pena.
O perdão, uma promessa de humildade e confiança
O adulto não tem nada a ganhar ao se fazer de
herói: "Na sua idade, eu só
tirava 10!" ou "eu
ganhava todas as minhas partidas!”.
Isso apenas fará o seu filho mais inseguro e
enganado da realidade. Os pais não são modelos intocáveis, eles são exemplos
aos quais a criança absorve lições durante a vida. A criança não obedece, ela
imita.
Peça perdão (“me desculpe, eu me irritei sem
motivo”) ou mostre a sua fraqueza (“também pode acontecer de eu estar errado”).
Tantas são as provas de amor e humildade que o jovem recebe em seu coração como
um sinal de confiança!
O perdão dado e recebido na família evita muitos
ressentimentos ou culpas mal administradas na idade adulta.

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