A doença espiritual que muita gente tem e não sabe
27/02/26
A cada post que lemos nas redes sociais
a nossa alma é assaltada com uma tentação recorrente
"Não se apresse em aceitar a ofensa de outra
pessoa”, disse-me um sábio há mais de 40 anos, muito antes de a internet
existir. Eu havia me envolvido emocionalmente em um assunto que tinha mais
história por trás dele do que fora divulgado.
Seu conselho parece particularmente relevante para
nossa atual cultura de “indignação” nas redes sociais, que são alimentadas por
nossa capacidade de divulgar ofensas ao mundo com apenas um clique.
O corolário disso é que, a cada dia, temos a
capacidade de ver e ouvir sobre dezenas de situações ofensivas e questões que
exigem de nós uma reação do tipo: curti, estou triste, bravo etc.
E há ainda a caixa de comentários vazia,
chamando-nos para uma opinião, uma palavra sábia, uma demonstração de
solidariedade, um julgamento, uma condenação, uma réplica inteligente ou
condescendente, uma palavra final triunfante!
Dessa forma, a internet nos dá uma onisciência e
uma plataforma que antes estavam disponíveis apenas para Deus. E a cada
post que lemos, nossas almas são assaltadas repetidamente com uma tentação
recorrente: curtir ou
compartilhar. Fazendo isso, você será como Deus, distinguindo o bem do mal.
Uma
sedução sutil
A sedução é sutil tanto para o ofendido quanto para
os defensores do ofendido. Um pode se ofender (facilmente) e o outro pode
se juntar (facilmente) a ele. Em ambos os casos incidem doenças
espirituais.
Precisamos ficar atentos aos likes, às brigas, discórdias e
turbulências. Estes são sintomas de orgulho, ego e escravidão às
“paixões”. A escravidão às paixões resulta na falta de discernimento e na
incapacidade de estabelecer limites espirituais e emocionais nos
relacionamentos.
É necessário saber se estamos assumindo uma causa
justa e defendendo os fracos ou se estamos sendo atraídos pela indignação
disfuncional e passional de outra pessoa por sua percepção de ser menosprezada,
insultada, marginalizada, perseguida ou atacada. Então, mesmo que tenhamos
discernido corretamente, devemos decidir se nossa resposta é sábia, útil e
necessária.
Como
começamos a nos livrar de nosso vício de ser “como Deus”?
Aqui estão algumas coisas para você se perguntar
antes de responder à ofensa de outra pessoa nas redes sociais (algumas delas se
sobrepõem):
Não sei dizer quantas vezes recebi mensagens
privadas dizendo: “Então, este é o resto da história”, depois de responder a
uma postagem. "Quem advoga sua causa, por primeiro, parece ter razão;
sobrevém a parte adversa, que examina a fundo" (Provérbios 18,17).
Um mergulho profundo em seu ego é o começo da
sabedoria.
Especialmente nas mídias sociais, onde cada
comentário adicional geralmente é apenas uma repetição de respostas, do tipo:
"eu também".
Pessoalmente, eu (tento) nunca pressionar o
“ENVIAR” quando estou em um estado de perturbação.
Se pudermos ser honestos conosco mesmos, talvez
isso nos ajude a dar um passo atrás de brincar de Deus e um passo à frente para
sermos mais piedosos em nossa presença na mídia social.

Edição Espanhol

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